Em um mundo cada vez mais globalizado e conectado, as relações econômicas, políticas e comerciais internacionais vão para além dos países em si. Atualmente, unidades subnacionais (como cidades, regiões, unidades federativas e províncias) são atores importantes na construção de pontes internacionais, atuando através dos governos locais, sem intermédio dos governos federais, para promover seus próprios interesses no exterior e atrair investimentos. Esse fenômeno é chamado de paradiplomacia.
Ela surgiu como uma resposta à crescente interdependência econômica e à necessidade de soluções locais para desafios globais. Em vez de esperar por políticas nacionais, cidades passaram a buscar diretamente parcerias estratégicas com outros governos e empresas multinacionais, promovendo sua imagem e seus diferenciais competitivos no exterior. Para economias urbanas em transformação, essa prática representa uma oportunidade concreta de atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar o desenvolvimento sustentável, além de promover a cultura, o turismo e as empresas locais.
Ao adotar uma estratégia de paradiplomacia bem estruturada, as administrações locais conseguem alinhar políticas de desenvolvimento urbano a interesses internacionais — atraindo investimentos em infraestrutura, energias renováveis, mobilidade urbana e tecnologia. Além disso, o diálogo direto com organismos multilaterais e instituições financeiras internacionais amplia o acesso a fundos de financiamento e projetos de cooperação técnica.
Mas, para isso, as cidades devem investir em planos de internacionalização, que incluem ações de marketing territorial, fortalecimento de parcerias público-privadas e uso de dados econômicos e ambientais para demonstrar potencial de retorno aos investidores. Plataformas digitais e campanhas em redes sociais, assim como a participação em redes internacionais (como C40, ICLEI ou Metropolis) também são muito usadas para promover o território como destino de negócios e investimentos seguros. Esse é o chamado intercâmbio de boas práticas com outras cidades globais, o qual ajuda a ampliar a visibilidade e a credibilidade local, abrindo portas para novos negócios e cooperações.
Dessa forma, a paradiplomacia transforma cidades em protagonistas do desenvolvimento econômico. Em vez de depender exclusivamente de políticas nacionais, elas passam a criar sua própria estratégia internacional, atraindo investimentos alinhados aos seus interesses e vocações econômicos e ambientais. Em um cenário competitivo, adotar práticas de paradiplomacia é mais do que uma tendência: é um diferencial estratégico para construir uma economia urbana resiliente, conectada e preparada para o futuro.
Escritora: Marina Chan