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Economia azul: como os oceanos estão entrando nas agendas de negócios globais

A economia azul vem ganhando destaque nas discussões corporativas e multilaterais internacionais, refletindo a crescente percepção de que os oceanos não são apenas fonte de recursos naturais, mas também um pilar estratégico para o desenvolvimento sustentável. Em um cenário global onde mudanças climáticas, escassez de recursos e pressões sociais exigem novas formas de crescimento, os mares e costas se tornam protagonistas nas agendas de negócios globais.

O conceito de economia azul refere-se a todas as atividades econômicas relacionadas aos mares e aos oceanos. Entretanto, está sendo cada vez mais utilizado para se referir ao uso sustentável dos recursos oceânicos, preservando a saúde dos ecossistemas marinhos enquanto promove crescimento econômico, geração de empregos e inovação tecnológica. Isso envolve setores como pesca, transporte marítimo, turismo costeiro, mineração em alto mar, energias renováveis (como a eólica offshore), infraestrutura costeira e de portos, biotecnologia marinha e até soluções para captura e armazenamento de carbono.

Para se ter uma ideia da grandiosidade da economia azul, destaca-se que mais de 80% do comércio mundial depende de rotas marítimas, e dados da ONU apontam que a economia dos oceanos movimente entre 3 e 6 trilhões de dólares por ano — somente a pesca e a aquicultura contribuem com cerca de US$ 100 bilhões por ano e 260 milhões de empregos para a economia mundial. Além disso, os mares são fonte de alimento para bilhões de pessoas e abrigam uma biodiversidade ainda pouco explorada, com potencial para descobertas na medicina, cosméticos e novos materiais.

Para as empresas, investir na economia azul significa não apenas acessar novas oportunidades de mercado, mas também alinhar-se a compromissos globais de sustentabilidade e governança, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Criado em 2015, o ODS 14, “Vida na Água”, é um dos que mais demandam engajamento do setor privado para a proteção da biodiversidade marinha, o combate à poluição plástica e a adequação dos negócios globais à sustentabilidade oceânica.

Dessa forma, agências multilaterais e instituições financeiras já reconhecem a relevância do tema. A própria ONU, por meio do UN Environment Program Finance Initiative (UNEP FI), estabeleceu uma parceria com mais de 350 bancos, seguradoras e investidores institucionais para desenvolver uma agenda de finanças sustentáveis voltada ao ODS 14. Além disso, iniciativas como os Blue Bonds (títulos de dívida revertidos no financiamento de projetos de conservação marinha) vêm atraindo a atenção de investidores que buscam unir retorno financeiro e impacto positivo. Empresas de transporte marítimo têm apostado em combustíveis alternativos, enquanto o setor de energia acelera a instalação de parques eólicos offshore em países da Europa e da Ásia. 

No turismo, destinos costeiros estão incorporando práticas de economia circular para reduzir resíduos e preservar os ecossistemas que atraem visitantes. Já na pesca, cresce o investimento em tecnologias que garantam rastreabilidade e certificações de origem sustentável, atendendo a um consumidor cada vez mais atento às práticas socioambientais.

Contudo, a expansão da economia ainda enfrenta desafios significativos: regulação internacional, governança dos oceanos e combate à exploração predatória são alguns dos principais exemplos. Mas, ao mesmo tempo, a necessidade de superar esses obstáculos abre espaço para inovação tecnológica e cooperação global. Assim, startups, universidades e grandes empresas têm se unido em projetos que unem ciência, negócios e impacto positivo.

Dessa forma, a economia azul está deixando de ser uma pauta restrita a organizações ambientais para ocupar lugar central nas estratégias de negócios globais. Empresas que se anteciparem e investirem em soluções sustentáveis ligadas aos oceanos terão não apenas vantagem competitiva, mas também o reconhecimento de consumidores e investidores cada vez mais exigentes em relação ao impacto socioambiental.

Escritor: Marina Chan

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