O G20 representa uma parte expressiva do comércio global, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Brasil, os países do G20, em 2021, representavam cerca de 80 % das exportações e importações mundiais de bens e serviços. Essa participação ativa mostra que qualquer política adotada por esses países, incluindo tarifas, restrições ou acordos de facilitação tem potencial para impactar de maneira significativa as cadeias de suprimentos globais e, por extensão, o Brasil.
No âmbito das tarifas, o monitoramento recente mostra que os países do G20 têm aumentado medidas de caráter protecionista: por exemplo, de acordo com reportagem brasileira baseada em relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), entre outubro de 2023 e outubro de 2024 foram introduzidas 91 novas medidas restritivas pelas economias do G20, que cobriam cerca de US$ 828,9 bilhões em comércio. Esse aumento demonstra que, mesmo num momento em que o discurso global enfatiza facilitação do comércio e resiliência das cadeias, os países-membros ainda recorrem a tarifas, quotas ou outras barreiras para proteger indústrias domésticas ou reagir a choques externos.
Essas tarifas e restrições têm impacto direto nas cadeias de suprimentos. Quando um país impor tarifas elevadas ou restrições à importação de componentes ou insumos intermediários, as empresas que dependem desses bens enfrentam aumento de custos, atrasos ou precisam buscar fontes alternativas, o que exige uma reorganização produtiva.
Além disso, há um efeito indireto porém relevante, quando as economias do G20 anunciam tarifas ou criam expectativas de mudança de política comercial, importadores antecipam compras ou mudam cadeias. No caso específico do Brasil, o país tem defendido no G20 que seja mantida coerência na abertura comercial e que não se recorra indiscriminadamente a barreiras ou discriminações no comércio mundial, uma posição que reconhece que o Brasil participa dessas cadeias de valor e pode ser afetado por decisões de terceiros. Isso mostra que, além das tarifas diretas, há preocupação com o ambiente global de comércio, pois se cadeias forem fragmentadas por tarifas ou restrições, o Brasil e empresas brasileiras podem perder competitividade, acesso a insumos ou mercados exportadores.
Para recapitular, quando os países do G20 reduzem tarifas ou facilitam o comércio seja por meio de acordos, declarações ou cooperação normativa isso tende a reduzir custos de transação, permitir inserção mais eficiente em cadeias globais e aumentar competitividade. Quando, ao contrário, se elevam tarifas ou impõem restrições, às cadeias de suprimentos podem se fragmentar, sofrer rupturas, aumentar os estoques de segurança ou deslocar a produção para outros países. No Brasil, essas dinâmicas já se refletiram em estudos nacionais que medem como gargalos nos componentes importados, prazos de entrega e custos de transporte prejudicam a indústria. A participação relevante do Brasil no fórum do G20 e a sua defesa de um comércio mais aberto e coerente, mostra que o país reconhece os riscos e oportunidades dessa dinâmica global.
Escritor: Gabriel Lima