NOSSO BLOG

Nos conectamos para conectar o mundo

Como políticas públicas de imigração atuais dos EUA podem influenciar a Copa e as Olimpiadas

Não é uma novidade que a Copa do Mundo da FIFA e os Jogos Olímpicos de Verão apresentam grande notoriedade e capacidade de integração global, esses eventos esportivos conseguem furar a bolha do esporte e formar uma cultura global que faz com que, de dois em dois anos, milhões de pessoas se mobilizem, independente do lugar, para se ver representadas pelos seus conterrâneos nos jogos. Essa projeção e engajamento são benéficas para as nações participantes pois influenciam a economia, turismo, reputação e vários outros fatores numa escala muito alta, principalmente ao país sede desses eventos.

No ano de 2026 e 2028, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, respectivamente, acontecerão nos Estados Unidos. Em primeira análise, o fato intui-se uma grande oportunidade de prestígio global como caminho para geração de bilhões de dólares de receita pela atração de milhões de visitantes e inúmeros patrocinadores. Todavia, as políticas de caráter social e migratório do presidente Donald Trump estão invertendo essa lógica e fragilizando as expectativas de sucesso dos eventos.

A verificação “máxima” de todos os requerentes de visto, a triagem invasiva de redes sociais, a deliberada proibição de viagens para os EUA de 12 países, como Haiti e Irã, e dificuldade de entrada de outros 7, como Cuba e Venezuela, já são exemplos reais das políticas de restrição migratórias do Trump e de como se estendem às dinâmicas em meio à Copa do Mundo e às Olimpíadas. Contudo, a realização de eventos dessa magnitude depende diretamente da circulação internacional de pessoas, sejam turistas, atletas, profissionais da mídia ou trabalhadores temporários que compõem toda a infraestrutura necessária. Nesse sentido, a criação de barreiras significativas à participação e à mobilidade global pode se mostrar prejudicial ao funcionamento dos eventos, que são tradicionalmente construídos por mão de obra de imigrantes e voluntários. Portanto,  políticas que dificultam a permanência ou a contratação desses trabalhadores podem gerar gargalos na preparação, encarecendo custos e reduzindo a qualidade da experiência para os milhões de visitantes esperados. Na dimensão econômica, estima-se que os Estados Unidos possam arrecadar centenas de bilhões de dólares com a realização conjunta desses dois eventos, tanto pela movimentação turística quanto pelos investimentos privados e de infraestrutura. No entanto, o cenário de incerteza política e a adoção de medidas migratórias restritivas podem reduzir drasticamente esse potencial. Menos turistas significam menos consumo, menor ocupação hoteleira e um impacto direto no setor de serviços, que representa uma das principais bases da economia norte-americana. 

Essas fragilidades econômicas se encontram também com os fatores simbólicos e sociais em torno da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, as barreiras migratórias de Trump podem comprometer a imagem de “terra de oportunidades” historicamente associada aos Estados Unidos, projetando um país menos aberto e acolhedor em um momento em que a diversidade e a cooperação internacional são pilares da narrativa olímpica e do espírito esportivo mundial. Caminhar na contramão desses ideais faz com que o país corra o risco de transformar o que poderia ser uma vitrine de integração global em um palco de tensões diplomáticas, críticas internacionais e retaliações, com a possibilidade de gerar atritos com nações participantes e organismos internacionais.

O resultado seria um paradoxo: eventos que simbolizam união e diversidade sendo sediados em um país que transmite uma mensagem de exclusão e fechamento. Dessa forma, o sucesso desses megaeventos dependerá menos da grandiosidade das arenas e mais da capacidade do país de promover um ambiente aberto, inclusivo e acolhedor, para que os Estados Unidos consigam reafirmar seu compromisso com os valores de inclusão e pluralidade, o verdadeiro espírito do esporte mundial.

Escritor: Bento Melo

Voltar ao Blog