As mudanças climáticas já não são um tema isolado do debate ambiental, além de seus impactos físicos sobre ecossistemas e sociedades, elas reconfiguram as regras do comércio internacional. Nesse contexto, blocos econômicos e países estão criando instrumentos que vinculam o desempenho climático ao acesso a mercados, de modo que entender os chamados “Acordos Verdes” tornou-se essencial para empresas e investidores.
Esses Acordos têm se tornado pauta no mundo, por conta da mudança climática drástica que vem ocorrendo nas últimas décadas. Trata-se do aquecimento global e das alterações nos padrões meteorológicos decorrentes de emissões humanas de gases de efeito estufa. Com isso, seus efeitos não se limitam a secas ou enchentes, eles afetam diretamente a produção de alimentos (como café no Brasil e trigo em regiões da Austrália), atrapalham rotas e portos, aumentam custos de seguro e podem causar falta de insumos, tudo isso tem reflexo direto nos fluxos comerciais.
Esses acordos ganharam destaque global por causa das mudanças climáticas ocorridas nas últimas décadas, decorrentes do aquecimento global e das alterações nos padrões meteorológicos gerados pelas emissões humanas de gases de efeito estufa. Assim, seus efeitos não se limitam a secas ou enchentes, mas afetam também diretamente a produção de alimentos (como o café no Brasil e o trigo em regiões da Austrália), prejudicam rotas e portos, elevam custos de seguro e podem provocar falta de insumos, tudo isso possui um reflexo direto nos fluxos comerciais..
Nesse contexto, os Acordos Verdes aparecem em formatos diversos. Alguns são agendas amplas de transição para uma economia mais limpa (como o European Green Deal), enquanto outros atuam diretamente sobre o comércio, o CBAM, por exemplo, ajusta o preço do carbono das importações para evitar que empresas apenas mudem a produção para países com regras menos rígidas. Há também normas voltadas ao combate ao desmatamento e à rastreabilidade de commodities, que exigem comprovação de origem e cadeia de custódia para itens como soja, carne e madeira, obrigando exportadores a documentar onde e como os produtos foram produzidos.
O Brasil entra nesse cenário com vantagens, mas também com desafios importantes. Nessa conjuntura, como vantagem, temos uma matriz elétrica relativamente limpa, com forte participação de hidrelétricas e crescimento marcante de fontes solar e eólica, o que reduz a intensidade de carbono de parte da nossa indústria e agroindústria. Esse fato pode ser explorado como diferencial comercial quando compradores procuram produtos com menor pegada de carbono. Por outro lado, setores como mineração, siderurgia, pecuária e alguns elos do agronegócio enfrentam emissões significativas e problemas ligados ao desmatamento, sem atualização tecnológica e sistemas de rastreabilidade, esses setores ficam mais expostos a exigências externas.
Dessa forma, os efeitos práticos sobre empresas brasileiras podem ser vistos em duas frentes: riscos e oportunidades. Entre os riscos estão os custos iniciais de adaptação, medir emissões, certificar cadeias, implantar rastreabilidade e adaptar processos não é barato, especialmente para pequenas e médias empresas. Com isso, entre as oportunidades estão a chance de posicionar produtos “low-carbon” no mercado internacional, atrair investimentos verdes e aumentar o valor agregado das exportações, caso o país e as empresas invistam em certificação e inovação.
Além disso, choques climáticos extremos podem causar rupturas nas cadeias de suprimento. Nesse cenário, estudos recentes indicam que ondas de calor e tempestades geram perdas não só locais, mas em redes inteiras de produção, o que pode aumentar a frequência e a gravidade das falhas logísticas. Desse modo, essas medidas deixaram de ser apenas ambientais e passaram a ter forte dimensão comercial. Se países e empresas não respeitarem esses acordos, a tendência é o aumento dos prejuízos nas produções decorrentes de desastres naturais.
Um detalhe atual é que o Brasil sediará a COP30 em Belém, de 10 a 21 de novembro de 2025, o que coloca o país no centro do debate climático global e abre janelas de oportunidade diplomática para negociar financiamento, transferência de tecnologia e acordos que facilitem uma transição justa para os setores mais vulneráveis.
Portanto, os Acordos Verdes redesenham o comércio internacional e representam, ao mesmo tempo, desafio e oportunidade para o Brasil. Há o risco concreto de perda de mercado para quem não os cumprir, mas também existe a possibilidade de transformar a vantagem de uma matriz elétrica mais limpa em um argumento comercial competitivo. Para tanto, é necessário integrar agendas climáticas e comerciais, ampliar capacidades de medição e rastreabilidade. Com políticas públicas coordenadas e apoio às empresas mais vulneráveis, o Brasil pode proteger setores sensíveis e, ao mesmo tempo, conquistar vantagem no mercado global de baixo carbono.